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Madeira de demolição é luxo só
A procura por móveis fabricados usando madeira de
demolição como matéria-prima, aumentou muito nos últimos anos. O
aspecto rústico desse tipo de material ganha muitos adeptos. São
pessoas que procuram por um banco para a varanda, um jogo de mesa para a
cozinha.
Pode ser também alguém interessado em um produto
diferenciado para decoração, ou quem quer dar uma outra cara para a
fachada da loja ou comércio. A aplicação da madeira de demolição é
ampla e sempre existe a chance de surgir uma nova opção que caia no
gosto de consumidores, decoradores e arquitetos.
Segundo João
Paulo da Motta Palmas, da Fratoni Móveis, empresa que trabalha com
móveis rústicos e planejados, "o que a pessoa imaginar dá para fazer
utilizando a madeira de demolição. Eu costumo brincar com os clientes
que o que eles tiverem de fotografia de móveis da casa da avó, é
possível fazer e fica muito bonito", diz.
Douglas Marçal
Tábuas de Peroba Rosa, com mais de 30 anos de uso, são transformadas em móveis de requinte único
Ele conta que com a alta procura por móveis com esse tipo de
material, os donos de terrenos com casas de madeira, que há tempos
pagavam para empresas demolir as casas e se livrar das madeiras, hoje,
cotam quais as empresas pagam mais por esse material, que virou
sinônimo de móveis de luxo.
A procura é tanta que empresas dos
Estados de São Paulo e Minas Gerais têm a região de Maringá como fonte
de matéria-prima. "Tem muita madeira de demolição aqui. A cidade acabou
de fazer 65 anos. Existem muitas casas de madeira com 50 anos, na
média, e que as pessoas se desfazem delas para construírem casas de
alvenaria", explica Palmas.
INVESTIMENTO
O preço de móveis fabricados
utilizando madeira de demolição
varia de acordo com os tipos de
acessórios que são incluídos na
peça. Vidro, pastilhas de
cerâmica e metal escovado com
aspecto envelhecido, são alguns
elementos que podem
incrementar cristaleiras, bancos
ou mesas, por exemplo.
Dependendo do tipo de
acessórios incluídos, o custo da
peça fica entre R$ 600 e R$ 800
o metro quadrado
Os tipos de madeira de demolição que mais se encontram na cidade,
segundo Palmas, são Peroba Rosa, Pinho e Canafístula. Ele ressalta que
entre estes tipos, a Peroba Rosa ainda é a mais procurada para
fabricação de móveis rústicos. Para a confecção dos móveis existe a
necessidade de beneficiar a madeira.
Esse processo caracteriza
três tipos de móveis de madeira de demolição, os maquinados, com
aspecto mais liso, o móvel rústico, com aspecto de podre, com veios da
madeira mais intensos e visíveis e a madeira de policromia, que tem
resquícios das pinturas que foram feitas no material ao longo do anos,
enquanto a madeira ainda servia como parede de residências.
A
procura das madeiras que vão se tornar objetos de sonho de consumo em
lojas de móveis são por tábuas que tenham entre 30 e 40 anos de uso. "A
exposição das madeiras nas casas, por mais de 30 anos, ao tempo, faz
com que o sol e a chuva apodreçam a parte mais fraca da madeira,
ficando só a parte mais forte", afirma Palmas.
Etapas do beneficiamento
A madeira de demolição que chega na marcenaria passa por algumas etapas
até estar pronta para ser utilizada como matéria-prima na confecção de
novos móveis. Primeiro, as tábuas passam por um detector de metais,
para identificar corpos estranhos, como pregos ou parafusos, que serão
retirados.
Em seguida, é definido o molde a ser utilizado no
novo móvel, que pode ser rústico ou liso. No caso dos móveis rústicos, a
madeira vai passar pela aplicação de produtos químicos para que os
veios naturais da madeira possam ser ressaltados. Por último, a madeira
de demolição é encaminhada para o corte da produção.
De
acordo com Palmas, o que caracteriza a madeira de demolição e dá o
charme necessário para que esse material ganhasse muitos admiradores é o
peso da madeira, que é mais densa; marcas de prego e pequenas marcas
de cupim, resultados dos anos de exposição da madeira.
"A
madeira de demolição não é valorizada apenas pelo aspecto visual e da
beleza do material, o que também valoriza é a questão do
reaproveitamento, isso chama a atenção do cliente. A procura da
sustentabilidade que nós vemos tanto em muitos segmentos, ganhou espaço
nos móveis, reaproveitando materiais", destaca.